segunda-feira, 4 de julho de 2011

7- Lar x Campo inimigo

Acordei com o som irritante do meu celular. Joguei as mãos para o canto em que sempre deixava o aparelho no dormitório, mas minhas mãos alcançaram apenas o vazio. Estava com tanto sono que agradeci quando o barulho cessou.
Logo o meu celular retornou a sua cantoria. Abri os olhos e sai da cama sem vontade, engatinhando, caçando pelo chão de onde vinha o som. Achei o celular em cima de algumas roupas num sofá. Só quando vi na tela Casa que olhei ao redor com mais atenção. “Alô?”
“Onde você está, Mariana?” Fazia-me a mesma pergunta. “Sabe que horas são? Por que não atendeu as minhas chamadas? Quando liguei pra Yasmin ela me disse que você devia estar na Sally, quando liguei pra Sally ela disse que você devia estar na Yasmin. Seu pai está que nem um doido te procurando pela cidade.”
“Desculpa, mãe...” A minha cabeça latejava.
“Onde você está, Mariana?”
“Eu...” Olhei ao redor mais uma vez, tentando recordar de alguma coisa. “Já estou indo pra casa, mãe.”
“Vou avisar ao seu pai. Não pense que vai sair dessa só com uma boa explicação, Mariana.” Desligou.
Fiz o impossível deixando a minha mãe nervosa. Suspirei quando vi que já era tarde de sábado.
Eram as minhas roupas dobradas em cima do sofá. Vestia uma camisola desconhecida pra somar a todo o resto desconhecido que me cercava. Troquei de roupa antes de deixar o quarto.
Toda a minha memória sobre a noite passada terminava no momento em que eu pegava a mão do Matheus para ir dançar. Eu tinha desmaiado? Estava na casa dele? “Meu Deus!” Temi os pensamentos que me vieram.
Segui as vozes que vinham do andar debaixo. O cheiro de comida fez meu estômago roncar.
Deparei-me com uma cena na copa que me deixou com mais perguntas do que respostas. Kate sentada numa bancada, balançando as pernas e cheia de sorrisos. Scott de costas, mexendo em alguma coisa no fogão. Vítor com as pernas esticadas em cima da mesa. Matheus puxando uma cadeira próxima do Vítor. Albergue? Estava tendo alucinações?
Scott foi o primeiro a notar a minha presença, quando virou rindo e conversando. “Mari?!”
“A stripper acordou!” Vítor zombou me vendo.
“Stripper?!” Perguntei sem realmente querer saber o motivo daquele apelido.
Segurei a cabeça com as mãos e senti as mãos do Matheus nas minhas costas. “Melhor você se sentar, Mari. Deve estar com fome.” Ele deu uma olhada no Scott e riu sem jeito. “A comida não é das melhores, mas vai te sustentar.”
Vítor gargalhou. “Matheus não vale nada.”
“Cala a boca, Vítor!” Matheus.
Scott bufou.
“Onde estou?”
“Na minha casa.” Kate respondeu.
“Na sua casa? O que estou fazendo aqui?”
Scott fechou ainda mais a cara. “Vestida.” Largou um pano que segurava na pia. “Já vou.”
“Fala sério, Scott!” Vítor.
“Ah, vai logo, então, Scott! Às vezes, você fica insuportável.” Kate revirou os olhos.
Assim que o Scott saiu da cozinha, Matheus sentou-se ao meu lado. “Quer que eu pegue alguma coisa pra você? Não sei o que você gosta de comer...”
Vítor se levantou. “Depois me liguem pra avisar o que vão fazer mais tarde.” Foi até perto da Kate, perto demais, e vi o desconforto que ela sentiu com essa aproximação. “Fui, gata.” Lançou uma mão na sua nuca, por cima dos cabelos, e se inclinou, beijando sua clavícula. Reparei quando a Kate tremeu antes de se afastar.
Vítor passando por mim, encarou-me divertido. Ameaçou dizer alguma coisa, mas apenas balançou a cabeça rindo e saiu.
Deitei a cabeça na mesa. “Devo perguntar o que fiz noite passada?”
Kate riu da pia. “Nada que eu já não tenha feito, queridinha.”
Gelei com o pensamento.
A gargalhada da Kate estalou profunda na minha cabeça. “Relaxa, Mari.” Ela trouxe uma bandeja com um copo de café e uma omelete com aparência suspeita, mas com a fome que eu estava... “Obrigada.”
Kate sentou-se a minha frente.
“Come, vai se sentir melhor.” Matheus.
“Se lembra de alguma coisa?” Kate.
Vi o Scott sem conseguir tirar os olhos dela dançando e depois ele no meio da pista, cercado por garotas. Nada que eu quisesse lembrar. “A gente ia dançar.” Apontei pro Matheus.
“Só isso?” Ela perguntou. “Você arrasou dançando no meio da galera. Com direito a blusa rodopiada no ar e lançada longe... Matheus sofreu pra encontrar depois.”
“Oh, meu Deus!” Fui possuída? “Diz que isso não aconteceu de verdade...”
“Mas você desmaiou antes de...” Matheus.
“Antes do quê?”
“Antes que tirasse o resto.” Kate completou.
Suspirei. Eu realmente levei a sério o lance de chamar a atenção do Scott...
Inspira e expira... um, dois, três...
 “Mi casa es su casa. Fique à vontade.” Kate disse, levantando-se. “Volto num instante.”
Não tinha cara para encarar o Matheus.
“Desculpa... Não consegui te parar.” Ele olhava suas próprias mãos na mesa. Ficou tão bonitinho se desculpando por algo que não devia...
“Você não tem culpa.” Lembrei dos meus pais. “Mas preciso ir logo pra casa, meus pais querem me matar e algo me diz que ainda é possível que isso piore se eu demorar mais um pouco sem aparecer.” Disse me levantando.
Matheus se levantou junto. “Eu vou com você.”
Estava a ponto de negar a sua companhia, mas a sua presença era tão agradável que não fui capaz.
Encontramos a Kate na varanda com um cigarro na mão. Ela fumava? Não sei por que achei estranho. “Já estão de saída?”
Forcei as palavras a saírem. “Obrigada pela estadia.” Não a encarei, já tinha esgotado a minha cota de humilhação por toda a vida.
“Volte hoje à noite. Vou fazer alguma coisa aqui.”
Só acenei já de costas.
No caminho, Matheus me perguntou. “Você vai à festa da Kate?”
“Nem mesmo se eu quisesse. Esqueceu que meus pais vão me matar?”
Ele sorriu. “Se quiser que eu explique a eles sobre a noite passada...” Ofereceu.
“Não.” Disparei. “Obrigada, mas isso, com certeza, só apressaria a minha morte.”
“Claro. Que ideia a minha.”
Pensei no quanto o Scott se sentia à vontade na casa da ruiva sardenta. Fazendo comida... Ele era seu empregado agora? Aff!
“É aqui.” Disse, sentindo meu coração acelerar com a imagem que a minha mente projetou dos meus pais pedindo explicações que eu não tinha.
Levei um susto quando senti os lábios do Matheus tocarem a minha testa. Aquele comportamento dele era tão curioso. Como um garoto do time de futebol da escola - o mais lindo e popular - amigo do Scott e toda aquela turma podia ser tão educado e gentil?

7 comentários:

  1. Oh my! Eu conheço muito bem o efeito de virar um blue lagoon...

    Amo!
    bjosmil! *.*

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  2. Strip-tease?! =O =O =O +.+
    Eu tô chocada!!!!!!!!! Hahahahaha!

    Bjks!

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  3. Striper eh?kkkkkkkkkk
    Será que ela vai virar amiga da Kate?
    O Matheus é fofo *-*

    Beijos

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  4. Mari lokona?! Eu ri!!
    Mas tô com pena dela... =/
    Como ela vai se explicar em casa?

    Beijos

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  5. Da-lhe Mari!!!! aushuahsuhaushuahsu Pq o Scott ficou bravo? ele tem q se danar... Fala uma coisa e fica babando com outras... affe
    Agarra o Matheus Mari!!! .we.


    Amando Bruxuh

    Bjooo

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  6. Não sei se eu me choco mais com o comportamento da Mari ou com os coments da geruxca. o_o
    Mas acho que foi até bom ela ter se libertado (apesar de ter sido um pouquinho demais)... Só que eu no lugar dela não sei como encararia meus pais nem o resto do mundo outra vez, kkk. Deu até dó agora. :/
    Nhaaaaa, o Matheus é um amor! *----*
    E espero que ela comece a ver o lado bom da Kate agora. :)
    Beeeijo.
    P.S.: Mais uma vez a música do blog é a mesma que estava ouvindo antes mesmo de acessá-lo. Telepatia com você, bruxa! \õ/

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  7. kkkkkkkk, Nâo presta, né, Mita. =P
    6love
    -
    É, a Mari também, Pah, kkkkkkkk.
    =*
    -
    Pra isso acontecer você vai precisar fazer uma bruxaria da pesada, Vih. ><
    Né?! *w*
    =*
    -
    Já vai descobrir, Lu. =P
    =*
    -
    Simplesmente porque ele é o Scott, Deh. ><
    Vai que ela te dá ouvidos...
    Thanks, Bruxa querida!! =*
    -
    kkkkkkkkkkk, pois é Dindi...
    Aiin, também o adoro!!
    Ihh, aí já não é pedir muito não? =P
    =*
    PS: É isso aí, Bruxilda!!! \õ/

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